Achei que deveria, de certo modo, ganhar coragem. Não é que tenha medo das palavras, muito pelo contrário, amo as palavras, fazem parte de mim como nunca eu tinha sentido algo assim, em relação a algum hobbie meu — nem mesmo quando comparo com músicas que venero, ou tatuagens que idolatro e continuo esperançosa de fazer.
Não, não tenho medo das palavras, suporto-as bastante bem, já as ouvi de várias entoações, com vários significados, algumas melhores, outras que nem deveriam ter sido proferidas, mas continuo a amar as palavras incondicionalmente. O que me preocupa nelas, a ponto de hoje ter ganho coragem, é o quanto eu posso magoar as pessoas com elas. Conhecendo-me como conheço, sei o poder que tenho apenas com as palavras, sei que tudo começa ou tudo acaba com a articulação dos músculos da língua e lábios, e com a produção de som das minhas cordas vocais, ou com a energia que gasto ao bater um texto no computador portátil ou até mesmo à minha forma favorita para descarregar — papel e caneta.
Tendo isto dito, nesta extremamente longa página, estará cada publicação minha que foi feita em várias situações: horas em que quis desabafar, e que fui interrompida; horas em que desabafei, mas não me atrevi a mostrar ao mundo o meu interior, a minha alma.
Cada entrada terá associada a ela a data em que foi escrita, e talvez o título — caso eu lhe tenha dado previamente um título; não me vale de nada tentar dar um título nos presentes dias a algo que foi escrito sabe Deus há quanto tempo, quando muito provavelmente não estarei certamente no mesmo estado de espírito com que estava quando escrevi tudo aquilo.
Enfim. Nada mais a dizer, senão, enjoy.
— StressInPants
Entrada I — 12/03/2013 — "Olhares"
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Sinto-me escondida. Em 24 horas, ando pelo menos sete horas escondida, de tudo e de todos. Dos diálogos, mas mais dos olhares. Mas apesar de me esconder de todos, ou pelo menos tentar, nem sempre tenho sucesso. Há mirones em todo o lado para onde quer que eu olhe, e o pior de tudo? O pior de tudo é que não são mirones que olham, comentam e viram a cara. Às vezes, são mirones que olham, e intimidam ou embaraçam com o olhar, por inúmeras razões.
Esses momentos, esses raros momentos, são tão constrangedores, que automaticamente perco a consciência do meu ser, e coro. E, também automaticamente, ganho consciência de mim, na parte física: é como se passasse a estar ciente de cada músculo do meu corpo, de cada movimento que faço, até mesmo do tom de voz com que falo. É complicado gerir tudo isto ao mesmo tempo.
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Entrada II — 21/03/2013 — Sem Título
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Tudo começou por um muitíssimo breve sonho, e parecendo estranho, lembro-me desse sonho como se fosse um acontecimento real, que tenha acontecido ainda hoje. Na verdade, nunca tive muito boa memória no que diz respeito a sonhos, mas este... Tenho a sensação de que me lembrarei dele por muitos anos.
Então, acontece que as circunstâncias não eram, de todo, normais. Uma multidão de pessoas confinadas num espaço mínimo; tenho a perfeita noção de que ali estava numa festa, apenas não sabia porquê. Não conhecia ninguém, excepto três pessoas. Talvez seja melhor dizer desde já que não vou revelar detalhes, não me gosto de expôr assim tanto quanto isso.
Após a manhã na qual eu tive este sonho, certas coisas mudaram, contra a minha vontade. Para começar, procurei ter mais informações junto dos meus sobre o que me levaria a sonhar tal coisa - esses meus chegam a conhecer-me melhor do que eu própria, é verídico.
Não havia resposta que fosse razoável o suficiente ao meu gosto, e isso arruinou o meu juízo por completo, o que fez com que ficasse extremamente irritada e frustrada comigo própria. Desde há dois anos que tenho tido um controlo excepcional quanto ao meu pensamento, tenho sempre em mente a frase Mind over matter (mente sobre a matéria, ou seja, se eu me comportar ou pensar de tal maneira, e é assim que tem de ser, mais nada). Resumindo, fui teimosa comigo mesma.
Continuando. Como consequência, passei a estar mais atenta a olhares
»
Entrada III — 17/01/2014 — Sem Título
«
Eu já devia saber que não me devia pôr a ler coisas do passado, coisas que eu própria escrevi aqui, mas parece-me que ainda não aprendi coisa nenhuma.
Esta noite, deu-me a vontade de vir até aqui e ler todos os posts, excepto o último criado
»
Entrada IV — 4/02/2014 — Sem Título
«
God damn me and my incredibly useless mind. I've done it again.
For some stupid reason, I always end up imagining impossible scenarios in my head just before I fall asleep. I dream about everything: about having a completely different life, about being someone else — because being me is being painful these days — , about being in a relationship with that one person that I really, really like...
But then something happens, and I get called back to my reality, and then I fall apart. I honestly feel, sometimes, like my guts are being shattered, and it hurts deep down in my soul to see that everything that I dream of won't be real. Simply because I can't actually imagine myself being someone who has a job, someone who has her own home, someone who's good enough to be someone's girlfriend, wife or mother. I'm not even going to be a damn aunt, for God's sake.
This really pisses me off. I've been a good person. Many people have done me wrong, and still, I've been a good person. I haven't complained about anything, except for some minimal things, like, fuck this weather, I'm too hungry, let me sleep... All minimal things. And still, I must be a hideous creature, a bitch to the universe, ‘cause I still haven't got anything good for myself, not anything capable of making me happy, truly happy. Is it wrong to want happiness? Is it wrong to not want to wait for it? Is it wrong to not want to be hurt — again?
That's all I've been asking from the world, happiness. I'm twenty-one years old, and I feel like I'm in a middle-age crisis, I feel miserable every single day, and I still manage to have a fucking smile on my lips, just not to worry people around me, while I want to scream my rage out, burst in tears, scratch my arms or punch a wall or my own face.
»
Após a manhã na qual eu tive este sonho, certas coisas mudaram, contra a minha vontade. Para começar, procurei ter mais informações junto dos meus sobre o que me levaria a sonhar tal coisa - esses meus chegam a conhecer-me melhor do que eu própria, é verídico.
Não havia resposta que fosse razoável o suficiente ao meu gosto, e isso arruinou o meu juízo por completo, o que fez com que ficasse extremamente irritada e frustrada comigo própria. Desde há dois anos que tenho tido um controlo excepcional quanto ao meu pensamento, tenho sempre em mente a frase Mind over matter (mente sobre a matéria, ou seja, se eu me comportar ou pensar de tal maneira, e é assim que tem de ser, mais nada). Resumindo, fui teimosa comigo mesma.
Continuando. Como consequência, passei a estar mais atenta a olhares
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Entrada III — 17/01/2014 — Sem Título
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Eu já devia saber que não me devia pôr a ler coisas do passado, coisas que eu própria escrevi aqui, mas parece-me que ainda não aprendi coisa nenhuma.
Esta noite, deu-me a vontade de vir até aqui e ler todos os posts, excepto o último criado
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Entrada IV — 4/02/2014 — Sem Título
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God damn me and my incredibly useless mind. I've done it again.
For some stupid reason, I always end up imagining impossible scenarios in my head just before I fall asleep. I dream about everything: about having a completely different life, about being someone else — because being me is being painful these days — , about being in a relationship with that one person that I really, really like...
But then something happens, and I get called back to my reality, and then I fall apart. I honestly feel, sometimes, like my guts are being shattered, and it hurts deep down in my soul to see that everything that I dream of won't be real. Simply because I can't actually imagine myself being someone who has a job, someone who has her own home, someone who's good enough to be someone's girlfriend, wife or mother. I'm not even going to be a damn aunt, for God's sake.
This really pisses me off. I've been a good person. Many people have done me wrong, and still, I've been a good person. I haven't complained about anything, except for some minimal things, like, fuck this weather, I'm too hungry, let me sleep... All minimal things. And still, I must be a hideous creature, a bitch to the universe, ‘cause I still haven't got anything good for myself, not anything capable of making me happy, truly happy. Is it wrong to want happiness? Is it wrong to not want to wait for it? Is it wrong to not want to be hurt — again?
That's all I've been asking from the world, happiness. I'm twenty-one years old, and I feel like I'm in a middle-age crisis, I feel miserable every single day, and I still manage to have a fucking smile on my lips, just not to worry people around me, while I want to scream my rage out, burst in tears, scratch my arms or punch a wall or my own face.
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Entrada V — 11/02/2014 — Sem Título
«
Não esperes que eu vá falar contigo, fala-me tu. Não esperes que eu seja sincera contigo, honesta contigo, porque não vou conseguir. Fechei o meu coração há muito, e não o conseguirei abrir, não sem saber o que me guarda o futuro. Porque se for para sofrer, prefiro não investir, prefiro não dizer nada. Prefiro ficar quieta, e não me expôr. Porque se me expuser, corro o risco de me magoar ainda mais do que me magoei nos últimos dias, e não quero isso. Sofri e fui magoada por imenso tempo, e não quero voltar a passar por isso. Sei que as coisas não são bem assim, que todos temos de sofrer em certos pontos das nossas vidas, mas quero evitar o sofrimento da rejeição. Pelo menos esse, consigo evitá-lo, basta parar.
Gostava mesmo que as pessoas entendessem que não procuro nada, nem procurei. Apenas apaixono-me facilmente. Por meras palavras. E voltei a apaixonar-me outra vez, mas as coisas são sempre assim, e eu desisto, sempre. Apenas porque já sei que vou sofrer, que vou ser usada e descartada, mais uma vez. Então, prefiro sofrer em surdina o "e se" que vem depois da semi-rejeição.
»
Entrada VI — 16/02/2014 — Sem Título
«
Estou em quase total silêncio. Quase total porque não estou completamente sozinha, o meu irmão está a jogar no seu portátil. Ao menos lá se vai divertindo.
Prefiria mil vezes estar sozinha, mas se não escrever o que me vem à cabeça agora, perco o raciocínio, perco as ideias, perco este pedaço de palavras que precisam de sair, nem que seja com o bater das teclas ao invés de ser pelo som das cordas vocais. Sim, acho que prefiria dizer-tas mesmo à tua frente, ou por telefone, ou por chamada de vídeo ou áudio, mas isso não é possível. E eu sei que talvez leias isto, ou talvez não leias, não sei, mas muito sinceramente? Hoje não tenho pachorra para me esconder, e estou-me pouco cagando se vês este pedaço de mim, o pedaço frustrado, mal-humorado. Afinal de contas, todos temos os nossos dias maus, não é verdade? Isto não deveria ser novidade para ninguém, apenas a maneira como cada um pensa e lida com o mau humor é diferente.
Estou à espera que acabe de instalar o PokerStars, porque não tenho nada melhor para fazer. Recusas-te a meter conversa comigo, e eu não me sinto capaz de ser eu a dar início a isso. Então, em vez de eu explodir em cima de ti, dizer-te toda a merda que me está a passar pela cabeça neste preciso momento, prefiro explodir aqui — é como se o perímetro de danos colaterais fosse definido, não há muito que possa acontecer em consequência de tudo isto. Porque, falando a verdade, duvido imenso que um dia venhas a ler isto.
É incrível, a frequência com que escrevo aqui para pessoas que nunca lerão o que me vai na alma. Mais valia fazer disto um diário secreto, ou um género de testamento digital. Hei-de pensar nisso um dia. Adiante.
Disse-te ontem, por 'mensagem', que não me estava a queixar, mas estava a querer fazê-lo. Apenas não o fiz no sentido literal porque não havia nenhum nexo em fazê-lo.
»
Entrada VII —26/02/2014 — "Memórias, Esquecimento..."
«
Não te vou dizer que te esqueci, porque isso seria mentira. Pelo bem ou pelo mar, marcaste-me, e eu tenho uma memória demasiado boa, tanto das coisas boas como das coisas más. Claro está, é sempre muito melhor recordar alguém que não nos deu motivos de choro e sim de risos, e qualquer pessoa lembrar-se-á sempre de alguém assim que tenha passado na sua vida, mas tu tiveste ambos os talentos. Fizeste-me rir, fizeste-me chorar.
Fizeste-me falar, fizeste-me crescer, fizeste-me amar e, de certa forma, posso-te agradecer imenso a presença que tiveste na minha vida, apesar de dispensar uma tonelada de sensações que seriam inevitáveis, mas eu hoje não estou para atirar culpas a ninguém, até porque eu própria tenho telhados de vidro — ninguém é santo.
Tenho de te frisar uma coisa, eu não te esqueci, nem nunca te esquecerei, mas o sentimento perdeu-se — isso sim, foi esquecido. Tenho saudades, não te vou mentir; mas as saudades que sinto, podem até ser tuas, mas são muito mais das coisas boas que passámos, dos bons momentos. Isto pode até ser carência de um carinho a falar, mas é a verdade, pelo menos neste exacto momento — daqui a nada, posso passar a odiar-te profundamente, ou a esquecer o teu nome completo.
Uma citação de hoje, uma que fez clique na minha cabeça e que não foi dita por mim: já é difícil o suficiente uma pessoa esquecer outra estando com alguém, então quando se está sozinho, é pior.
Sim, é verdade, e eu não o posso negar. Até porque o esquecer empregue nesta citação não especifica o esquecer de vez uma pessoa, e sim esquecer o sentimento, a maioria dos acontecimentos, restando apenas que realmente têm memórias fortes nas nossas mentes.
Eu não te esqueci, e nunca te esquecerei, tenho plena consciência disso. Não me estou a declarar a ti, porque já não te amo. Fico feliz por saber que finalmente estás a endireitar a tua vida, como devias ter feito há anos atrás, apesar de me revoltar um pouco que tenha sido preciso eu deixar-te, pôr um ponto final na nossa situação para que tu entendesses isso. Mas alegra-me saber que um dia terás tudo o que sempre quiseste por métodos bons, não por esquemas, e que irás satisfazer os teus, sejam esses os de sangue ou os de coração. Sei que a tua família ficaria irradiante se desses uma volta completa à tua vida, ganhando juízo.
Deixei de te guardar rancor. Desejo-te as maiores felicidades do mundo porque, se jogares bem as tuas cartas, assim serás — feliz.
Eu não te esqueci, nem nunca te esquecerei, tenho plena consciência disso. Sei que um dia, caso eu venha a estar com alguém, caso assente numa relação séria ou quiçá, junte os trapinhos, vou-me sempre lembrar de ti, independentemente de já não sentir nada por ti, e de amar alguém que me faça verdadeiramente feliz.
Mas apesar de tudo, de ter saudades de tantas e tantas coisas, de nunca te esquecer, nem isso me move para que queira sequer trocar uma palavra contigo. Não me entendas mal, não me faz mossa alguma que um dia me fales caso nos encontremos por mero acaso num sítio qualquer. Apenas não tenho qualquer interesse em manter contacto contigo, desculpa-me a frontalidade.
Nunca te esquecerei, mas também não gosto de ti.
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Entrada VIII — 23/03/2014 — Sem Títutlo
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Não esperes que eu vá falar contigo, fala-me tu. Não esperes que eu seja sincera contigo, honesta contigo, porque não vou conseguir. Fechei o meu coração há muito, e não o conseguirei abrir, não sem saber o que me guarda o futuro. Porque se for para sofrer, prefiro não investir, prefiro não dizer nada. Prefiro ficar quieta, e não me expôr. Porque se me expuser, corro o risco de me magoar ainda mais do que me magoei nos últimos dias, e não quero isso. Sofri e fui magoada por imenso tempo, e não quero voltar a passar por isso. Sei que as coisas não são bem assim, que todos temos de sofrer em certos pontos das nossas vidas, mas quero evitar o sofrimento da rejeição. Pelo menos esse, consigo evitá-lo, basta parar.
Gostava mesmo que as pessoas entendessem que não procuro nada, nem procurei. Apenas apaixono-me facilmente. Por meras palavras. E voltei a apaixonar-me outra vez, mas as coisas são sempre assim, e eu desisto, sempre. Apenas porque já sei que vou sofrer, que vou ser usada e descartada, mais uma vez. Então, prefiro sofrer em surdina o "e se" que vem depois da semi-rejeição.
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Entrada VI — 16/02/2014 — Sem Título
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Estou em quase total silêncio. Quase total porque não estou completamente sozinha, o meu irmão está a jogar no seu portátil. Ao menos lá se vai divertindo.
Prefiria mil vezes estar sozinha, mas se não escrever o que me vem à cabeça agora, perco o raciocínio, perco as ideias, perco este pedaço de palavras que precisam de sair, nem que seja com o bater das teclas ao invés de ser pelo som das cordas vocais. Sim, acho que prefiria dizer-tas mesmo à tua frente, ou por telefone, ou por chamada de vídeo ou áudio, mas isso não é possível. E eu sei que talvez leias isto, ou talvez não leias, não sei, mas muito sinceramente? Hoje não tenho pachorra para me esconder, e estou-me pouco cagando se vês este pedaço de mim, o pedaço frustrado, mal-humorado. Afinal de contas, todos temos os nossos dias maus, não é verdade? Isto não deveria ser novidade para ninguém, apenas a maneira como cada um pensa e lida com o mau humor é diferente.
Estou à espera que acabe de instalar o PokerStars, porque não tenho nada melhor para fazer. Recusas-te a meter conversa comigo, e eu não me sinto capaz de ser eu a dar início a isso. Então, em vez de eu explodir em cima de ti, dizer-te toda a merda que me está a passar pela cabeça neste preciso momento, prefiro explodir aqui — é como se o perímetro de danos colaterais fosse definido, não há muito que possa acontecer em consequência de tudo isto. Porque, falando a verdade, duvido imenso que um dia venhas a ler isto.
É incrível, a frequência com que escrevo aqui para pessoas que nunca lerão o que me vai na alma. Mais valia fazer disto um diário secreto, ou um género de testamento digital. Hei-de pensar nisso um dia. Adiante.
Disse-te ontem, por 'mensagem', que não me estava a queixar, mas estava a querer fazê-lo. Apenas não o fiz no sentido literal porque não havia nenhum nexo em fazê-lo.
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Entrada VII —26/02/2014 — "Memórias, Esquecimento..."
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Não te vou dizer que te esqueci, porque isso seria mentira. Pelo bem ou pelo mar, marcaste-me, e eu tenho uma memória demasiado boa, tanto das coisas boas como das coisas más. Claro está, é sempre muito melhor recordar alguém que não nos deu motivos de choro e sim de risos, e qualquer pessoa lembrar-se-á sempre de alguém assim que tenha passado na sua vida, mas tu tiveste ambos os talentos. Fizeste-me rir, fizeste-me chorar.
Fizeste-me falar, fizeste-me crescer, fizeste-me amar e, de certa forma, posso-te agradecer imenso a presença que tiveste na minha vida, apesar de dispensar uma tonelada de sensações que seriam inevitáveis, mas eu hoje não estou para atirar culpas a ninguém, até porque eu própria tenho telhados de vidro — ninguém é santo.
Tenho de te frisar uma coisa, eu não te esqueci, nem nunca te esquecerei, mas o sentimento perdeu-se — isso sim, foi esquecido. Tenho saudades, não te vou mentir; mas as saudades que sinto, podem até ser tuas, mas são muito mais das coisas boas que passámos, dos bons momentos. Isto pode até ser carência de um carinho a falar, mas é a verdade, pelo menos neste exacto momento — daqui a nada, posso passar a odiar-te profundamente, ou a esquecer o teu nome completo.
Uma citação de hoje, uma que fez clique na minha cabeça e que não foi dita por mim: já é difícil o suficiente uma pessoa esquecer outra estando com alguém, então quando se está sozinho, é pior.
Sim, é verdade, e eu não o posso negar. Até porque o esquecer empregue nesta citação não especifica o esquecer de vez uma pessoa, e sim esquecer o sentimento, a maioria dos acontecimentos, restando apenas que realmente têm memórias fortes nas nossas mentes.
Eu não te esqueci, e nunca te esquecerei, tenho plena consciência disso. Não me estou a declarar a ti, porque já não te amo. Fico feliz por saber que finalmente estás a endireitar a tua vida, como devias ter feito há anos atrás, apesar de me revoltar um pouco que tenha sido preciso eu deixar-te, pôr um ponto final na nossa situação para que tu entendesses isso. Mas alegra-me saber que um dia terás tudo o que sempre quiseste por métodos bons, não por esquemas, e que irás satisfazer os teus, sejam esses os de sangue ou os de coração. Sei que a tua família ficaria irradiante se desses uma volta completa à tua vida, ganhando juízo.
Deixei de te guardar rancor. Desejo-te as maiores felicidades do mundo porque, se jogares bem as tuas cartas, assim serás — feliz.
Eu não te esqueci, nem nunca te esquecerei, tenho plena consciência disso. Sei que um dia, caso eu venha a estar com alguém, caso assente numa relação séria ou quiçá, junte os trapinhos, vou-me sempre lembrar de ti, independentemente de já não sentir nada por ti, e de amar alguém que me faça verdadeiramente feliz.
Mas apesar de tudo, de ter saudades de tantas e tantas coisas, de nunca te esquecer, nem isso me move para que queira sequer trocar uma palavra contigo. Não me entendas mal, não me faz mossa alguma que um dia me fales caso nos encontremos por mero acaso num sítio qualquer. Apenas não tenho qualquer interesse em manter contacto contigo, desculpa-me a frontalidade.
Nunca te esquecerei, mas também não gosto de ti.
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Entrada VIII — 23/03/2014 — Sem Títutlo
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Inspirada numa só música, penso em inúmeras pessoas. Tantas e tantas... Do presente e do passado, que estão mas não, e nas que já não podem estar por ser impossível.
Tu, primeiro que tudo, tu, que sempre me ensinaste a tratar-te por tu, porque achavas que isso não significava nem mais nem menos respeito à tua pessoa. Tu, que dirias agora se me visses? Não no sentido literal, porque se fosse no sentido literal, arranjavas alguma maneira de me gozar por estar sempre semi deitada na cadeira do computador. Mas que me dirias se me visses agora? Estarei a fazer as escolhas correctas a curto e a longo prazo? Não fazes uma mínima ideia de quanto eu precisava agora do teu conselho para tantas coisas. Gostava de poder falar contigo directamente, ter um verdadeiro diálogo. Dir-te-ia tantas coisas... Tinhas razão, gostei de ler Os Maias. A avó diz que estarias orgulhoso de mim, por ter o gosto pela leitura, tal como tu; apesar de ser em géneros um pouco mais diferentes, mas vou aprender a crescer nestes termos, e vou aprender a ler os mesmos tipos de livros que tu e, sei no fundo do meu coração, que hei-de ler todos os livros que deixaste para trás. Ainda ninguém lhes mexeu, não deixo que os tirem de lá se não for para ler com olhos de ler. Irias gostar de saber que estou a gostar de ler Saramago. Não me lembro da tua opinião pessoal sobre a escrita dele, mas lembro-me de me avisares para ter paciência; nem preciso de ter muita, até é fácil de ler... Continuo benfiquista, mas estou a seguir a rotina de nós dois com o tio, continuamos em zaragatas verbais sobre os nossos clubes. Ias gostar de ver ao vivo, sei disso. Que me dirias, avô? Que me dirias se me visses agora? Ainda ontem, ao falar com uma colega minha, disse os meus avós vêm cá almoçar no domingo. Passado ano e meio, ainda não me habituei à ideia que não estás mesmo cá, que não voltarás. E apesar de aceitar a situação, apesar de estar bem, fico mal ao lembrar isso. Mas que me dirias se me visses agora? Estarias orgulhoso da mulher em que me estou a tornar aos poucos? Porque muito sinceramente, eu própria ando desiludida comigo mesma, e gostava de saber a tua opinião sincera, mas não estás cá para ma dizer...
E tu, que estás mas não estás? Que vais e vens sem avisos? Nós vemo-nos de meses a meses, falamos quase de semana a semana, mas isso não é a mesma coisa que ver. Que dirias? Estou a corresponder às tuas expectativas? Porque por tudo o que me dizes por vezes, que contradiz alguns dos teus actos mais afectuosos, parece-me que não. Porque, por merdas que te dizem, tens uma imagem tão errada de mim... Eu não sou a rapariga que pensas que sou, sou melhor, muito melhor que isso. Já to provei várias vezes, já te provei que sou mais mulher que as tuas mulheres quase todas, e mesmo assim, não vês o que está mesmo à tua frente, e isso prejudica-me. Com tantas anos quantos tu tens, ainda não aprendeste o que é mais e menos importante, ainda não estabeleceste as tuas prioridades, e eu temo por ti, tenho receio que aprendas isso tarde demais, à força. Que dirias se me visses agora, pai?
E tu, que me fizeste asneiras atrás de asneiras? Que me magoaste vezes e vezes sem conta, tornando-me na pessoa fria que sou hoje? Que dirias se me visses agora? Que estou mal sem ti, ou que cresci mais do que imaginavas, tornando-me melhor ainda? Nem tenho muita coisa a dizer-te, apenas que te devia ter deixado ir mais cedo, mas por burrice minha, mantive-me a teu lado por meses totalmente inúteis. Mas agradeço-te, sabes? Por ti, aprendi que devo valorizar-me mais do que valorizo, e isso só me faz sentir melhor. Por isso, pergunto-te: o que me dirias se me visses agora?
E vocês, que me marcaram tanto, tanto pela negativa como pela positiva? Que me diriam se me vissem agora? Passaram-se anos desde a última vez que senti que éramos mesmo amigas e amigos. As coisas nunca mais voltaram ao que eram, depois de todos os acontecimentos com cada um de vós. Que me diriam se me vissem agora? Já houve quem dissesse que eu estava na mesma, mas pela aparência, mas vocês não podem julgar o carácter quando não estão já presentes na minha vida nem um minuto durante um ano, portanto... Que me diriam se me vissem agora?
E tu, que estás mas não estás? Que vais e vens sem avisos? Nós vemo-nos de meses a meses, falamos quase de semana a semana, mas isso não é a mesma coisa que ver. Que dirias? Estou a corresponder às tuas expectativas? Porque por tudo o que me dizes por vezes, que contradiz alguns dos teus actos mais afectuosos, parece-me que não. Porque, por merdas que te dizem, tens uma imagem tão errada de mim... Eu não sou a rapariga que pensas que sou, sou melhor, muito melhor que isso. Já to provei várias vezes, já te provei que sou mais mulher que as tuas mulheres quase todas, e mesmo assim, não vês o que está mesmo à tua frente, e isso prejudica-me. Com tantas anos quantos tu tens, ainda não aprendeste o que é mais e menos importante, ainda não estabeleceste as tuas prioridades, e eu temo por ti, tenho receio que aprendas isso tarde demais, à força. Que dirias se me visses agora, pai?
E tu, que me fizeste asneiras atrás de asneiras? Que me magoaste vezes e vezes sem conta, tornando-me na pessoa fria que sou hoje? Que dirias se me visses agora? Que estou mal sem ti, ou que cresci mais do que imaginavas, tornando-me melhor ainda? Nem tenho muita coisa a dizer-te, apenas que te devia ter deixado ir mais cedo, mas por burrice minha, mantive-me a teu lado por meses totalmente inúteis. Mas agradeço-te, sabes? Por ti, aprendi que devo valorizar-me mais do que valorizo, e isso só me faz sentir melhor. Por isso, pergunto-te: o que me dirias se me visses agora?
E vocês, que me marcaram tanto, tanto pela negativa como pela positiva? Que me diriam se me vissem agora? Passaram-se anos desde a última vez que senti que éramos mesmo amigas e amigos. As coisas nunca mais voltaram ao que eram, depois de todos os acontecimentos com cada um de vós. Que me diriam se me vissem agora? Já houve quem dissesse que eu estava na mesma, mas pela aparência, mas vocês não podem julgar o carácter quando não estão já presentes na minha vida nem um minuto durante um ano, portanto... Que me diriam se me vissem agora?
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