Devo dizer que, após tantos anos de esperanças que foram varridas
por inúmeras circunstâncias, não sei, honestamente, porque é que
achei que este ano seria diferente. Aliás, se eu esforçar a minha memória – o que
não me custa nada, sinceramente – este tipo de esperanças ou expectativas vazias
já vem desde há imensos anos; digamos, dezanove, dezoito anos, talvez? À volta
disso sim.
É preciso que se note, e vou mesmo sublinhar que eu não guardo
qualquer tipo de rancor pelas promessas vazias, esperanças em vão, expectativas
não retornadas do passado. Não, isso tudo pertence ao passado, e não me faz a
mínima diferença, para ser sincera. Mas o meu humor hoje, que deveria estar
numa fasquia de cinco metros ou mais, nem sequer se consegue levantar da cama –
ironia do destino, até eu própria vou passar o dia na cama.
Lembro-me de que as primeiras promessas eram vazias, mas não
compreendia porquê, era demasiado nova para tais compressões. No ano que vem, vamos passar o dia todo na
praia, só nós duas. Ou então, Para a
próxima, vamos até um centro comercial passar o dia, vamos almoçar as duas
juntas, e vamos ao cinema, que achas? E eu pulava de alegria porque… Bem,
porque honestamente pensava que tal fosse acontecer. Mas nunca me importei
muito que isso não acontecesse. Aliás, era-me sempre preferível fazer
exactamente a mesma coisa todos os anos, enquanto eu era mais nova e podia
realmente fazê-lo: o mais importante, para mim, era estar literalmente rodeada
pelos meus familiares, que me viam crescer a cada ano que passava, que me
acompanhavam diariamente, ou quase diariamente. Isso é que me importava. Ainda hoje
importa, mas hoje é diferente, e eu já lá vou.
Como é que hei-de fazer a comparação…? De criança pequena, antes
do primeiro ciclo, passei para criança um pouquinho maior. As festas já tinham
mais crianças, os meus primos eram mais crescidos, e eu podia dizer, com todo o
coração, que tinha amigos da escola comigo no meu dia especial.
Os anos passaram mais, a criança tornou-se adolescente. A festa
mudou por completo, obviamente. Das duas opções, uma delas concretizava-se, mas
ambas eram da mesma essência: ou almoçava com a família, e ia ao cinema de
tarde e jantar com os amigos, ou almoçava e ia ao cinema com os amigos e
jantava com a família. Essa tradição durou pouco, diga-se de passagem.
Desde há cerca de sete anos, é que qualquer sentido de tradição se
evaporou. Ao início tentei equilibrar as coisas. Foi complicado; tinha que me
tentar dividir em três dado que, de certa forma, tinha passado a ter três
famílias: a materna, a paterna, e os amigos – amigos que apenas não têm o mesmo
sangue que eu, mas que são igualmente família para mim, como se fôssemos
literalmente irmãos e irmãs.
Hoje, o dia é esquisito. Sinto-me esquisita. Claro, pode ser do
meu medo/ansiedade, dos problemas recentes de saúde, que realmente não me
ajudam em nada, mas ainda assim, o dia é esquisito. Claro, já recebi várias
chamadas e mensagens no telemóvel, já me ligaram para casa, já me publicaram votos
de felicidade no Facebook®. Mesmo assim, é esquisito. Eu, que gostava tanto que
este dia fosse especial, que fazia sempre um grande alarido, com roupa,
maquilhagem, para onde vou sair, meu
Deus, eu vou ver tanta gente, vai ser tão giro!, e este ano, nada. Estou
simplesmente no conforto da minha cama, no meu portátil, frustrada por não ter
os livros seguintes da colecção que ando a ler. E fora isso, é um dia normal como
todos os outros.
O mais estúpido no dia de hoje, é que apenas tenho uma parte da minha família comigo. Certo, odeio não estar com a chamada terceira família, os amigos, mas odeio ainda mais não ver cada um dos meus familiares. É demasiado esquisito. Não é natural. Foram eles todos que, à sua maneira, me fizeram crescer. E, menina crescida como sou, vou aguentar o enorme sapo que tenho na garganta, vou evitar fazer uma birra por não os ver, pois sei que daqui a dias vejo todos eles.
O mais estúpido no dia de hoje, é que apenas tenho uma parte da minha família comigo. Certo, odeio não estar com a chamada terceira família, os amigos, mas odeio ainda mais não ver cada um dos meus familiares. É demasiado esquisito. Não é natural. Foram eles todos que, à sua maneira, me fizeram crescer. E, menina crescida como sou, vou aguentar o enorme sapo que tenho na garganta, vou evitar fazer uma birra por não os ver, pois sei que daqui a dias vejo todos eles.
Enfim… Talvez os aniversários agora sejam aborrecidos. O que é
ainda mais peculiar; não era suposto eu, como mulher que sou, apenas passar a
odiar os aniversários quando chegasse aos 30? Mas também, a Andreia nunca se
esquece de me relembrar, desde há dois anos, quantos anos me faltam para os 30…
Maldita Andreia, tem cá uma sorte de eu
gostar tanto dela.
Mas é esquisito. Num universo alternativo, eu estaria bem de
saúde. Eu estaria na rua, ou num sítio bastante público, com as minhas melhores
amigas, irmãs, para mim. Estaria a
rir-me, a tirar fotografias memoráveis. A debater livros, filmes, roupas que
veríamos em manequins de monstras ou mesmo em quem passasse por nós.
Enfim… Talvez no ano que vem.
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